fagulha de faísca
30 de janeiro de 2022.
Eu tenho pensado muito sobre o que eu quero fazer da minha vida agora. Mas acho que "o que" eu vou fazer não faz tanta diferença quanto o "como" eu vou fazer.
O que eu aprendi com Arlindo foi muito maior do que aquilo que eu pretendia quando comecei. Eu aprendi a mergulhar nas histórias, ir bater lá no fundo das minhas próprias questões, das minhas dores, dos meus porquês e isso fez muita diferença porque mudou o meu olhar: antes eu olhava pra fora pra fazer as coisas.
Arlindo fez com que eu me enxergasse. Eu, com tudo que eu sou, dando tudo que eu tenho, pra escrever algo que fizesse sentido.
Eu quero fazer milhares de coisas ao mesmo tempo mas o que eu quero mesmo é fazer as coisas com amor, com calma, com carinho, com atenção. Pra isso eu só posso fazer uma de cada vez.
Eu não quero mais olhar pras coisas que eu fiz com desgosto porque me maltratei no processo de fazer. Eu quero me encantar junto com quem lê.
04 de junho de 2024
Hoje, mais de dois anos depois, eu começo a desenhar um quadrinho no qual eu tenho trabalhado desde pouco depois de escrever esse descarregar de pensamentos.
Tava relutando começar essa parte do quadrinho porque não sabia como terminar ainda - e é nessas horas que eu acho massa a tecnologia da intuição: Eu passei um tempão enrolando a leitura de um livro que eu sentia que ia me ajudar de alguma maneira a narrar essa história. Até que, há algumas semanas, finalmente comecei a leitura que me engoliu como só o fogo pode fazer.
Ao virar a última página do livro de Xangô, esse que eu tanto enrolei pra me aproximar, a última página do quadrinho apareceu na minha cabeça - pronta.
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| Kaô kabecilê! (página 143 de XANGÔ, Ildásio Tavares - coleção orixás, Pallas) |
Esse eu vou fazer como quero: com amor, com calma, com carinho, com atenção. Um quadrinho sobre memória, fogo e criança.
Tô empolgada e com medo, como uma banda que estourou no primeiro CD, prestes a lançar o próximo. Vamos ver no que dá, que se abram os caminhos.


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